Dicas de escrita para o Substack 11
Dicas de escrita para o Substack
Escrever sobre o que você vive
Tem muita gente que escreve sobre o que estudou. Sobre teorias que leu em livros, conceitos que aprendeu em cursos, informações que pesquisou pra parecer autoridade no assunto.
E isso é válido, mas não é o que eu faço. Não sei se por escolha ou por incapacidade mesmo, mas não consigo escrever assim.
Eu escrevo sobre o que eu vivo. Sobre as coisas que estou processando agora, nesse momento, enquanto escrevo. As perguntas que ainda não sei responder, as contradições que ainda não resolvi, os padrões que tô começando a perceber mas ainda não entendo completamente.
Escrevo enquanto tô descobrindo.
As pessoas se conectam com isso porque é real. Não é um guru te ensinando a verdade absoluta, é alguém na mesma jornada confusa que você.
E parando pra pensar, acho que é isso que as pessoas realmente querem. Ninguém mais aguenta guru. Ninguém mais aguenta gente fingindo que tem tudo resolvido, que acordou iluminada um dia e agora vai te vender o segredo da vida em 7 módulos.
As pessoas querem honestidade, querem alguém que admite que também tá perdido às vezes.
Quando você escreve assim, as pessoas confiam mais. Porque você não está vendendo uma ilusão, está compartilhando uma experiência humana com todas as imperfeições que isso inclui!
Mas há alguns princípios que podem te ajudar a trilhar esse caminho. O primeiro é o equilíbrio entre profundidade e clareza. Sua newsletter não é um artigo acadêmico, nem uma redação de Enem, muito menos um TCC.
Você não precisa citar teóricos, usar palavras indecifráveis ou revisar cada vírgula como se fosse um ritual sagrado. Mas também não pode escrever de forma rasa, pobre ou preguiçosa.
Escrever bem é como conversar bem: se você fala difícil demais, ninguém entende; se fala simples demais, ninguém leva a sério. A arte está em caminhar nessa linha tênue — ser acessível sem perder a profundidade.
O jeito mais prático de encontrar esse equilíbrio é criar um filtro mental:
Se qualquer pessoa consegue entender o que você escreveu, mas ainda sente que aprendeu algo novo, você acertou.
Se o leitor precisa abrir o dicionário a cada parágrafo, você perdeu.
E se o texto soa como uma conversa de bar sem substância, você também perdeu.
Clareza não é simplismo, e profundidade não é enrolação. Cada palavra que você escreve é um convite; cada frase, um passo. Se o caminho não for claro, o leitor desiste no meio.
E é aí que entra o efeito mais poderoso de todos: “esse texto parecia que foi escrito pra mim”. Todo leitor já sentiu isso em algum momento — aquela sensação de que o autor leu sua mente, entendeu seus medos, suas dúvidas, seus desejos.
Esse efeito não é sorte, é construção. É quase uma armadilha emocional, mas das boas.
Três elementos são cruciais para criá-lo:
Primeiro, a linguagem próxima: escreva como se estivesse conversando com alguém, sem adornos ou formalismos desnecessários. Distância afasta, humanidade aproxima. Segundo, referências universais: fale de medos, dilemas e ambições que todos sentem, mas poucos sabem expressar. Quando o leitor pensa “como ele sabe disso sobre mim?”, você venceu. Foi o que aconteceu, por exemplo, com meu texto “Eu faturei R$1,78 com o digital no último mês”. Todo mundo já tentou ganhar dinheiro na internet, mas quase ninguém tem coragem de mostrar o outro lado da moeda. E terceiro, o tom emocional autêntico: não tente soar perfeito. Perfeição é fria. Vulnerabilidade e humanidade criam conexão.
Dominar esse efeito é transformar o ato de escrever em um ato de presença. Não é apenas publicar palavras — é construir uma ponte invisível entre você e o leitor.
É fazer com que, dias depois, ele ainda pense naquela frase, naquele parágrafo, naquela sensação.
Escrever É sobre deixar rastro. É sobre presença. É sobre construir algo que permanece quando o scroll termina.Tudo o que foi escrito aqui não é teoria — é prática comprovada por dois perfis que estão, cada um à sua maneira, deixando seu legado dentro do Substack.
Enquanto o Substack cresce, nós estamos crescendo junto com ele — abrindo espaço para uma nova geração de criadores que não escrevem para performar, mas para marcar presença.
Que essa conversa inspire outros a fazerem o mesmo: escrever com verdade, consistência e propósito. Porque legado não se constrói da noite pro dia — se constrói toda vez que alguém escolhe dizer algo verdadeiro.
Escrever esse texto ao lado de alguém que construiu tanto, com tanta verdade, é um lembrete do porquê começamos a escrever: para criar pontes, não palcos.
Que essa troca inspire mais pessoas a ocuparem o Substack com autenticidade, coragem e propósito. Porque, no fim, é isso que estamos fazendo aqui — construindo algo que vai muito além de números. Estamos construindo um legado.